terça-feira, 27 de agosto de 2013

Por que a gente tem medo de barata?

É preconceito. O habitat de animais influencia no julgamento do ser humano, e, como as baratas vivem em locais como esgotos, ralos e lixos, onde se alimentam de detritos, elas não poderiam deixar de ser odiadas. Cupim e besouro, por exemplo, são insetos como esta criatura repugnante ao lado. Mas não temos medo deles. E ainda tem os fofinhos. "Algumas espécies de borboletas têm cores similares às das baratas, porém moram em árvores e em flores. Logo, nós as consideramos ‘graciosas’", diz José Albertino Rafael, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Vale a mesma coisa para os ratos de esgoto e os hamsters. São roedores, mas um é odiado e o outro é bicho de estimação. 

A psicologia dá outras explicações. Quando a memória registra um episódio ruim na infância, você não vai necessariamente se lembrar dele na fase adulta, mas um medo irracional pode permanecer. Esse pavor também pode vir de outros - por exemplo, de sua mãe subindo no sofá, gritando para o homem da casa se livrar do bichano. 

Por que sentimos ciúme?

O ciúme é um sentimento muito intenso que perturba profundamente não somente quem o sente, mas também a própria relação. Não importa se a pessoa por quem sentimos ciúmes é o(a) namorado(a) ou o(a) amigo(a), a relação acaba sempre se complicando. Aliás, não são raros os casos em que a relação acaba justamente por causa do ciúme. O ciúme se diferencia da inveja que, do ponto de vista psíquico, é um sentimento ainda mais destrutivo. Enquanto o ciumento quer o objeto desejado só para si, o invejoso não quer que o objeto desejado pertença a outro e, caso consiga se apropriar dele, sequer consegue mantê-lo para si.
Por trás do ciúme se esconde um funcionamento emocional que geralmente se origina em uma sensação de baixa auto-estima e em projeções. Independentemente do ciúme ser justificado ou injustificado, o problema não está na pessoa objeto do ciúme, mas em quem é ciumento.
Quando nos apaixonamos, ou quando fazemos uma amizade, acabamos projetando fora de nós, no outro (namorado(a) ou amigo(a)), algo nosso, mas que, por várias razões, não pode ser reconhecido e apropriado.  A projeção “coloca” no outro algo que é intensamente amado ou rejeitado e, portanto, favorece o processo de idealização (se for algo bom) ou de “demonização” (se for algo ruim). O outro acaba não podendo ser acolhido em sua realidade, pois esta comporta uma certa ambiguidade, aspectos bons e ruins misturados.
No caso do namoro ou da própria amizade, os aspectos ruins são ignorados inicialmente. A tendência é ver no outro apenas aspectos bons que são idealizados. Mas, por se tratar de aspectos que estão sendo  “colocados” no outro, há também uma sensação de falta (“não vivo sem você”; “você é tudo dentro de nós para mim”, etc.). É como se algo que nos pertence tivesse sido roubado pelo outro. Uma vez idealizado, o(a) namorado(a) ou o(a) amigo(a) se tornam nossos carrascos, e passam a ser também odiados. Por se tratar de sentimentos em grande parte inconscientes, não são percebidos de forma clara.
Quem tem ciúme cultiva um intenso sentimento de posse em relação à pessoa “amada”. Este tipo de sentimentos fragiliza a pessoa ciumenta. Em contrapartida, quem for objeto do ciúme tenderá a se sentir em culpa e, com o tempo, a culpa se transforma em raiva, ameaçando a própria relação.
Por trás do ciúme, há a tendência de estabelecer um vínculo de fusão com o outro, que torna difícil distinguir o que é dele e o que é nosso.  Os dois mundos se confundem. Um processo mútuo de projeções é ativado, com resultados emocionais desastrosos.
Como fazer então quando esses sentimentos nos dominam? Nem sempre é fácil reagir sozinhos a essa situação. Às vezes é necessária a ajuda de um profissional. Recuperar a autovalorização e a auto-estima é fundamental para poder vencer os efeitos doentios do ciúme. Tentar se “separar” do outro também é importante. Não se trata da separação física, mas da possibilidade de cada um poder ser consciente de sua autonomia e individualidade.

Por que as pessoas mentem?

Ter uma data oficial para mentir pode parecer estranho, mas é assim desde o período romano, quando, durante as festividades para celebrar a entrada da primavera, era comum enganar e fazer piadas e brincadeiras. A tradição foi incorporada ao cristianismo, que trocou as orgias e banquetes por uma eleição do rei dos tolos.
Mas isso não significa que a mentira seja prerrogativa desta data. Uma pesquisa britânica já revelou que os homens contam em média três mentiras diárias, enquanto as mulheres são desonestas aproximadamente duas vezes por dia. Psicólogos explicam que as pessoas mentem, basicamente, porque funciona. Ao obter bons resultados com uma inverdade, elas tendem a repetir o ato para conseguir novamente o efeito positivo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Por que a pancada dói mais depois da briga?

Há dois motivos. O primeiro é que em situações de estresse agudo seu corpo entra em estado de atenção e rapidamente libera substâncias analgésicas. Depois de uma provocação, como um tapa na cara, há uma grande liberação de adrenalina e cortisol no seu sangue. O coração bate mais rápido e com o aumento da oxigenação nos músculos você fica mais ágil e forte. A produção de endocanabinoides e opioides endógenos (analgésicos naturais) também aumenta, o que faz com que você só perceba a dimensão da surra quando estiver relaxado. 

O segundo motivo é que os neurônios receptores especializados em dor, chamados nociceptores, passam a trabalhar mais diante de um trauma - mas esse processo não é imediato. A irritação de um tecido, por porradas e cirurgias, por exemplo, estimula a liberação de substâncias como as prostaglandinas, que superativam os nociceptores. Isso aumenta o envio de sinais para o cérebro - razão por que, passado um tempo, a pele queimada (de sol ou de panela) dói só de encostar. 

Por que coisas chatas dão sono?

Quando em monotonia, o cérebro diminui seu ritmo. Com isso, a respiração fica mais lenta e o nível de gás carbônico no sangue aumenta. Os olhos vão fechando, fechando, fechando... Bons sonhos.

Por que a gente saliva, lacrimeja e sua quando vomita?

A irritação da mucosa do estômago, que causa o vômito, ativa certos receptores sensitivos, que enviam estímulos ao "centro do vômito" do sistema nervoso - uma região do bulbo raquidiano, acima da medula espinhal. É esse centro que comanda as atividades e reações no mecanismo do vômito. O estômago se prepara, fechando sua parte final e abrindo a inicial, que fica próxima ao esôfago. Enquanto isso, músculos de diferentes regiões passam a trabalhar juntos, em uma espécie de esforço coletivo para expelir o conteúdo indesejado: os do abdômen aumentam a pressão na região, os da língua, colocam-na para fora, e os músculos da face se contraem. Isso acaba apertando também as glândulas que produzem saliva, lágrimas e suor. A contração de outros músculos pelo resto do corpo também ajuda na sudorese. E, além dessa produção mecânica, as glândulas também recebem a mensagem enviada pelo sistema nervoso de que há vômito a caminho. Isso gera, de forma reflexa, um aumento na produção de lágrimas, saliva e suor - embora eles não tenham função alguma durante o vômito.

Por que às vezes a gente, do nada, tem um tremelique?

Adrenalina. O tremelique, ou aquele calafrio que sua tia avó dizia que era um espírito que tinha passado por você, é sempre associado ao frio ou a alguma emoção, por mais que você não consiga identificar a origem desse estímulo. Você pode ter um calafrio desses por uma simples lembrança, por exemplo, triste ou feliz. Ela já basta para disparar uma descarga de adrenalina, responsável pelo siricutico. Dependendo da intensidade, essa descarga pode causar tremores, vasoconstrição e suadeira. Daí a história do espírito que passou: a pessoa pode mesmo ficar com a aparência pálida e a sensação de mal-estar típicas de quem jura que viu alma penada.